quinta-feira, 22 de junho de 2017

O Futuro da Dança de Salão

A poucos passos de voltar a escrever sobre a Dança de Salão em veículos dirigidos para esse segmento, faço uma pequena comparação do que vi, ouvi e escrevi há 15 anos sobre o futuro da dança de salão e a realidade que tenho acompanhado nesse período. Tinha, naquela época, profissionais que se dedicavam tanto em formar dançarinos quanto em trabalhar para a organização da classe. Profissionais da dança, promotores de evento, jornalistas da mídia especializada... Todos preocupados em arrumar a casa. Alguma coisa não deu certo. Muita coisa não deu certo. Faltou empenho de pessoas que se preocuparam única e exclusivamente com seu topete; em quanto estava faturando com sua academia lotada. Não pensaram no futuro da dança de salão e nas consequências de suas omissões.
Poderia nominar aqui dançarinos e dançarinas, donos de academia que se preocuparam com a didática, em formar novos profissionais, mas também em en-si-nar pessoas comuns a dançar, para frequentarem bailes, se divertirem, serem felizes.
Onde estão os bailes de dança de salão? Como estão esses bailes?
Num passado bem próximo, as academias só faziam bailes no final do ano a título de confraternização, ou no aniversário do seu titular.. Hoje, até por uma questão de sobrevivência, fazem bailes semanais, bingos e almoços dançantes. Se tivessem alunos suficientes, que ocupassem a carga horária disponível, não estariam promovendo bailinhos para custear seus compromissos. Investiram no iniciante?
Tínhamos veículos dirigidos ao público dançante; mais da metade sucumbiu...Não foi só porque a maioria das academias não anunciava,  mas também por culpa dos próprios veículos que não entendiam que não adianta apresentar anúncio de academia em baile, ou para alunos de outras academias. É preciso buscar o público que está fora da esfera, para que se sinta motivado a praticar depois de ler matérias e reportagens sobre esse universo fascinante. Lógico que as poucas academias  que anunciavam, aos poucos iam deixando de anunciar porque não viam retorno e aluno era uma mercadoria  cada vez mais rara. Mas... investiam no iniciante?
Surgiram os aproveitadores de situações. Gente que vive do deslize alheio. E a dança de salão deslizava fora do compasso, na pista comercial. Ainda é assim, pelo que vejo.
Os bailes, poucos que restam, sobrevivendo bravamente à tempestade de péssimos dançarinos, de cavalheiros de aluguel despreparados e "insossos", de aprendizes que acham que um baile de dança a dois é a mesma coisa que estar participando da "Dança dos Famosos" ou do "Dancing Brasil". Não aprenderam a dançar direito e muito menos diferenciar baile de show.
No início, a "Dança dos Famosos" contribuiu um pouco para que pessoas procurassem as escolas de dança, mas com o tempo entendemos que os que procuravam queriam fazer exatamente o que viam, queriam ser artistas da dança... Mas o público que queria a dança como lazer, para frequentar bailes e ser feliz não se espalhava nos aéreos e rodopios que os casais famosos apresentavam e não se arriscavam sequer a ir saber como a coisa funciona. O Dancing Brasil, no meu entender, em nada colabora para estimular quem quer praticar a dança de salão de forma recreativa. Então, que futuro tem a dança de salão no Brasil? Sinceramente, não sei.
Há uma semana mais ou menos enviei um e-mail pelo site do Sindicato dos Profissionais de Dança do Rio de Janeiro para saber quais os critérios para avaliar e determinar que um profissional esteja apto a ministrar aulas de dança de salão. Até agora não obtive reposta. Enquanto isso leio no facebook dezenas de pessoas reclamando da falta de critério; da invasão de dançarinos sem experiência "dando" aulas e tirando (os poucos) alunos das academias. Dezenas de "professores" se apresentam automaticamente depois de 2 ou 3 meses de frequência numa academia.  É outro problema. A dança de salão não tem uma instituição que a represente legitimamente. Tentou-se no passado, lembro-me bem do Luis Florião tentando juntar gente comprometida na Andanças, mas que fim levou?

Se não vejo a dança de salão com um futuro promissor como instituição organizada, que continue sendo uma grande festa, como sempre foi.

Será que todos os profissionais que levam a coisa a sério terão que fazer como o Adílio, Porto, o Alex de Carvalho e outros poucos que se mandaram? Caíram fora e foram ser felizes no exterior, onde seus profissionalismos são reconhecidos? Onde seus anos de dedicação à arte são valorizados? Onde há organização, há progresso. Onde há união, existe a possibilidade de dias melhores para todos. Existe um sindicato e uma associação, não existe? Então, que essas instituições – sem fins lucrativos – se preocupem tanto com a classe e sua organização quanto a cobrança de mensalidade ou anuidade. Precisam fazer coisas plausíveis que justifiquem...

 Eu, de minha parte, assim como tantos que acreditam no poder da dança a dois, a partir do momento que for levada a sério e deixar de ser usada banalmente, prometo dar meu apoio e colaborar para que a difusão  dessa arte ultrapasse as portas de academias e clubes, visando retorno humano, de pessoas interessadas em aprender a dançar  recreativamente, pois de professores e “professores”, já temos uma lista imensa.

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