segunda-feira, 29 de setembro de 2014

BASTIDORES DA MÍDIA DA DANÇA - Parte I

É lógico que a mola-mestra  de qualquer veículo de comunicação é a publicidade paga, que sustenta o custo gráfico, despesas operacionais, despesas com profissionais envolvidos, além da distribuição que gera pequeno gasto, isso no caso de veículos alternativos, como o nosso. 

O Dance News já passou por diversas dificuldades para manter-se de pé e levar ao público da dança matérias do interesse da classe de uma forma bem peculiar; a maioria dessas matérias divulgando profissionais e serviços sem cobrar um centavo.  Incentivamos muita gente. Por diversas fui editor do Dance News, atualmente revezando com o jornalista e professor de dança Jorge Cabral. Nessas idas e vindas a vontade, confesso, era só de ir, pois não havia (como não há) retorno financeiro suficiente para arcar com todas as despesas e acabava (e acaba) sobrando sempre para a mão-de-obra. Mas o Wanyr Almeida é uma pessoa especial, que não gosta da dança de salão "apenasmente", gosta de incentivá-la; de colocar seus profissionais e praticantes no centro das atenções. E ver sua luta nos leva, sempre que possível, a ser solidários. Eu, como redator e editor e o Ronaldo Moreira, diretor de arte que me acompanha desde 2002, sentimos em nosso coração colaborar com o Dance News, única e exclusivamente pelo respeito ao fundador desse jornal, pela sua história, pelas rasteiras que levou de pessoas que diziam querer ajudar, mas que no fundo estavam se aproveitando dos seus momentos de "baixa" para poder sugar alguma coisa que os levassem a entrar no mercado de forma feroz, com o olho maior que a cara, com uma tremenda gana mercenária. E o pior: ainda fazem acreditar que estão prestando um grande favor a quem está pagando pelo uso do seu espaço. Posso citar nomes? Posso, pois estive nos bastidores e conheço a história. Mas com o tempo isso vai acontecer. Alguns dirão que não conheço a história por completo, então seria a hora de discutirmos o assunto. Os que mantinham seus veículos impressos especializados em dança sem atropelar ninguém tiveram que dar um tempo, um definitivamente, como o Dança, Arte e Ação, do Luís Florião; outro  se viu obrigado a passar apenas para o virtual e lançar o impresso apenas duas vezes por ano, que é o caso  do Jornal da Dança, do Edézio Paz. E tanto Florião como Edézio são pessoas sérias, comprometidas com a arte e que tinham propostas de trabalho plausíveis em seus veículos. Mas foram engolidos pelo grotesco. Wanyr, depois de cair e levantar e cair novamente tentou se escorar na fé e quase não se via mais o Dance News nas ruas. Jorge Cabral surgiu como a tábua salvadora e foi fundamental para que o atestado de óbito do jornal não fosse decretado e lutou ao lado do Wanyr... luta até hoje, mas todos têm que sobreviver e o jornal mais famoso da dança de salão não tem condição, porque de uns anos para cá estão tentando monopolizar o espaço com um serviço que jornalisticamente deixa a desejar, mas que ganha força pela ilusão de ótica ou por alianças que não têm nada a ver com merecimento ou coisa parecida: ou paga ou tá fora da mídia. Miseravelmente, leiloa-se o espaço, mas não permite que a "presa" escape. Wanyr abriu uma brecha enorme para que isso acontecesse na mídia especializada em dança ao fazer alianças erradas. A experiência de vida não foi suficiente para fazê-lo ver que o inimigo ataca na necessidade, na hora da fragilidade de sua presa. Acreditou demais no sorriso e esqueceu de olhar nos olhos de quem estava lhe sorrindo. Isso acontece todo dia, em todos os segmentos, mas as pessoas nunca acreditam que vai acontecer com elas, uma , duas ou mais vezes...
Não sou dançarino nem me casei com uma dançarina; o Ronaldo Moreira, embora casado com uma ex-bailarina também não dança uma vírgula, mas nutrimos simpatia pela dança de uma forma geral  e em especial pela  Dança de Salão, e resolvemos abrir um espaço para nos dedicarmos ao Dance News, acordando com o Wanyr que o jornal passe a ter sua periodicidade bimestral, o que permite trabalhar melhor o lado comercial, imprescindível para que o trabalho se realize. Com quem podemos contar nessa nova empreitada? Com o profissional de dança, com o dono de academia, com o promotor de eventos dançantes, com os clubes sociais, com os amantes da dança. Quero fazer o que sempre fiz, sair na frente. Fui o primeiro a divulgar a dança de salão da Zona Oeste e a inserir as danças típicas numa revista especializada, a extinta Revista da Dança. E eu sei que teremos o apoio de muitos. Não me passa pela cabeça o monopólio do mercado. Nunca! Sou daqueles que se inspiram mais quando há concorrência, mas o que quero mesmo é colaborar com um grande amigo e com os vários outros amigos que conquistei nesses 12 anos de contato com a dança. Como vocês perceberam pelo título, eu não paro por aqui. Temos mais histórias dos bastidores da mídia da dança. E vou contar. Até breve.