sábado, 16 de julho de 2016

Rio: A Política na Dança de Salão e Vice-Versa

Aproximando-se mais uma época de eleições, candidatos (ou pré-candidatos), principalmente os que já têm mandatos, caçam votos em todos os segmentos. A dança não foge à regra; principalmente a Dança de Salão, pois o número de praticantes é cada vez maior. Mas o que a política pode fazer pela dança? Não é muita coisa quando nos restringimos aos praticantes. Esses se beneficiam dos projetos comuns a todos os cidadãos. Mas quanto aos profissionais professores, empresários donos de escolas, artistas e demais segmentos que dependem direta ou indiretamente desse setor, a coisa muda de figura. Eu conheço muita gente que já batalhou e ainda batalha pra caramba para que a classe de profissionais e artistas da dança - particularmente da dança a dois - seja reconhecida e valorizada pelas instituições governamentais, com apoios, incentivos e regulamentações que atendam às necessidades desses envolvidos. Posso citar Luis Florião, Jaime José, Edézio Paz e muitos outros.
Ernani Boldrim
Maria Antonietta foi um monstro nessa luta... Wanyr Almeida, então... Muita gente não sabe, mas o Wanyr Almeida foi  quem sugeriu ao então deputado estadual Ernani Boldrim que criasse o projeto de lei que instituísse a Semana da Dança de Salão, no Estado do Rio de Janeiro. Boldrim, atendendo à solicitação, criou o projeto que foi transformado na Lei 3440, de 11 de julho de 2000, que criava a Semana (última do mês de novembro) e a incluía no Calendário Oficial de Eventos do Estado do Rio de Janeiro, A não ser por iniciativa de alguns poucos dançarinos, não vemos eventos promovidos pelo Estado no sentido de difundir e incentivar essa prática tão salutar e admiravelmente envolvente. Gastam uma fortuna com bailes funk - bem menos social - e não destinam nenhuma verba para uma arte que socializa, aproxima, encanta e até cura.

Sebastião Ferraz
Já em 2002, entrávamos, eu e o Wanyr com o jornal Dance News de baixo do braço, no gabinete do vereador Sebastião Ferraz e, aproveitando a recepção calorosa daquele gabinete, Wanyr pediu que o vereador elaborasse um projeto de lei que incentivasse a prática da dança a dois, uma das mais eficazes ferramentas de socialização do século. Em  16 de janeiro de 2003 o projeto transformou-se na Lei Municipal 3.500, criando o Dia do Dançarino de Dança de Salão, comemorado em 21 de julho e incluindo a data no Calendário de Eventos do Município do Rio de Janeiro.
Dionísio Lins
Em janeiro de 2010 o deputado estadual Dionísio Lins pegou carona na lei municipal e criou projeto com nome e data de comemoração semelhantes, transformado-a na Lei Estadual 5.645. Dionísio, aliás, promovia, em épocas de eleição, bailes em diferentes bairros da cidade,  com entrada 0800, pois sabia que o "retorno" seria garantido. Alguns outros projetos tramitaram nas Câmaras Municipal e Estadual, mas sem muita força. Caíram no esquecimento...

Rachel Mesquita e Sebastião Ferraz
Em 2013 retornei ao gabinete do vereador Sebastião  Ferraz solicitando a concessão do título de cidadã carioca à grande mestra Rachel Mesquita, pelo reconhecimento de sua indubitável colaboração na formação de profissionais de dança e por sua importante participação em projetos sociais e culturais na cidade. Mais uma vez a receptividade se manifestou e em 2014 o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro foi palco de uma belíssima homenagem. Segundo a assessoria do vereador e do próprio Cerimonial da casa, além de justa, a homenagem de entrega do título de cidadã carioca à Rachel Mesquita foi uma das mais bonitas já realizadas naquela casa de leis. Vários nomes importantes se fizeram presentes, como Soca, da Mangueira; Marcelo Grangeiro, vencedor da última edição da Dança dos Famosos; integrantes da Mangueira do Amanhã; o grande mestre e artista Álvaro Reys e o nosso Embaixador da Dança de Salão, Carlinhos de Jesus, entre outros. Alunos da mestra também prestigiaram o evento.

Também em 2014, tive a felicidade de criar e dirigir o evento de dança de salão chamado "A Ilha Agradece". Apesar de alguns problemas que tive que enfrentar com uma das pessoas envolvidas, o evento correspondeu à expectativa e me trouxe a possibilidade de conhecer os excelentes profissionais de dança daquele espetacular bairro carioca e pesar o prestígio do encontro que recebeu nomes de peso como Marquinhos Copacabana e Jaime Arôxa, entre outras feras. E foi na confecção desse evento que conheci uma mulher muito ligada aos assuntos culturais, ecológicos e sociais da Ilha do Governador. Seu nome é Adelaide Pontual, que além de ter sido a mestre de cerimônia do evento, foi o braço de direito na organização do mesmo.
Adelaide, pré-candidata à vereadora: de olho na Dança de Salão

Hoje, dois anos depois, eu morando em Brasília, mas 100% ligado no meu Rio, recebo a confirmação da candidatura de Adelaide Pontual ao cargo de vereadora. Reacende em mim a vontade de vasculhar meus baús e achar  projetos relacionados à cultura da dança de salão; me reunir com pessoas (verdadeiramente) engajadas nessas lutas citadas acima e invadir o gabinete da Adelaide, caso minha premonição se concretize.
Adelaide num Soltinho
Já falei com ela sobre esse desejo e ela disse que as portas estarão escancaradas para esse povo dançante do qual ela faz parte e ama de coração. E eu gostaria que você, profissional, professor, artista, empresário da dança de salão, guardasse o nome de Adelaide Pontual na sua cabeça e o transformasse em opção de voto, caso ainda não tenha seu candidato. Acredito que está na hora de termos candidatos que invistam com entusiasmo na cultura da Dança de Salão. E peço que guardem esta página para lembrar que temos um compromisso. Não é uma promessa da pré-candidata Adelaide Pontual, mas o compromisso firmado entre eu, Márcio Leoni - jornalista, criador, redator e editor de veículos dirigidos ao público dançante; um cidadão comum que ama a dança de salão - e você, profissional e artista da dança de salão carioca. E se firmo esse compromisso é porque acredito na palavra e nas intenções de Adelaide Pontual, minha vereadora em 2016. Tenho certeza que coisas boas estão por vir. Vamos nos permitir.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

JPA DANÇAS - 6 ª EDIÇÃO

Tenho o prazer de ser um dos primeiros divulgadores do Congresso JPA de Danças, que acontece há cinco anos ininterruptos, em Jacarepaguá, um bairro privilegiado da Zona Oeste carioca.  E neste próximo final de semana, dias 21 e 22 de maio de 2016, acontecerá a 6ª Edição.
Para nós que acompanhamos os passos da dança de salão e torcemos para que cada evento planejado seja coroado de sucesso, ver o Congresso chegar a mais uma edição é motivo de alegria.

Quero parabenizar seu criador, Fábio Pires, bacharel em Educação Física, amante da dança, um cara que participou de mais de 30 importantíssimos cursos e workshops no Brasil e no exterior.
Fábio teve a felicidade de abrir o Espaço F na área nobre de Jacarepaguá, um local com 2 salões climatizados e com estacionamento privativo, proporcionando conforto e segurança aos alunos, professores e demais participantes.

São 8 os ritmos dessa edição:
bolero estilizado, samba, forró, kizomba, west coast,tango, salsa e zouk;


E este é o time responsável em ministrar os cursos:
Carol Martins, Conceição Tavares & Valter, Daniel Orlando, David Theodor, Emanoel Luiz & Cacau, Fabio Marques (Bad Wolf), Fernando Marques & Vanessa Flores, Jonathan Camarim & Priscila Borba, Kléu Kovaleski, Leo Fontes, Leonardo Bonilla & Nathalia Bonilla, Marcelo Capoeira, Marcos Jennings, Plínio Costa & Roberta Apratti, Rafael Portilho, Rafael Teixeira & Sorriso Nigorá, Roberto Florencio, Rodrigo Argolo & Vivian Eiras, Rodrigo Porto, Rodriguinho Barcelos, Sullivan Telles, Thiago Fortunato & Aline Blezer, Thiago Jully & Beatriz Patury, Werlem Rodrigues & Juliana Costa.

Fica aqui o meu desejo de que, assim como as edições anteriores, esta sexta edição seja um sucesso absoluto, levando aos seus participantes motivos suficientes para se orgulharem de fazer parte de um seleto e inteligente grupo de pessoas que optaram em ser felizes através da dança.



Local: Espaço F - Estrada de Jacarepaguá, 7578  - 3º andar,  Freguesia, Jacarepaguá - RJ, em frente ao supermercado Mundial e em cima da Droga Raia e CCAA.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Uma Palavra da Mestra Rachel Mesquita

Rachel Mesquita
A grande mestra Rachel Mesquita publicou o texto abaixo, copiado de sua página no Facebook. Sou fã incondicional da Rachel e a considero uma das mentes mais brilhantes não só no seu universo particular, que é a dança, mas num todo. Não pedi licença, mas estou colocando aqui, o texto que deve ser lido, principalmente, por todos os professores - independente do que lecionem. Rachel também é mestra em levantar sugestões que engrandecem a formação de quem forma cidadãos.

"Lendo hoje a revista Época(10/04/16) me deparei com a entrevista de Montserrat del Pozo. A forte e incisiva crítica que ela faz a estabilidade de professores ( que acreditam tudo saber sem investimentos à necessidade de uma formação contínua) que assumem esta posição é segundo ela, um grande desrespeito ao desenvolvimento de seus alunos. Para ela, professores que não mudam suas rígidas posturas ( mesmo que sedutoras e/ou produtivas) precisariam ser demitidos dos lugares onde ensinam. Estabelecendo uma relação paralela com a dança de salão quando ensinada de forma sistematizada poderemos , a partir do raciocínio da autora entendermos a permanente necessidade de investirmos em nossa formação buscando na diversidade de informações ,inclusive as construídas no universo acadêmico, diferentes caminhos a seguir. A dinâmica diária dos acontecimentos relacionados ao aprender e ao ensinar passam por descobertas sem podermos negar as questões políticas, didáticas, pedagógicas, andragógicas, metodológicas dentre outros alcances.Também construímos com nossas experiências , muitos e importantes saberes. Acreditarmos que apenas nossa forma de dar aulas é o suficiente para ensinarmos a dançar. descaracteriza substancialmente nossa condição de professores.A nossa arrogância em gritarmos aos quatro cantos que nossos métodos de ensino são os melhores cria em torno de nós mesmo, descréditos. Permeia hoje nos estudos de uma educação mais progressistas( em suas diferentes ramificações) a fundamental necessidade de uma formação mais crítica e participativa do alunos. Montesserat (2016) afirma que o professor deveria sair de seu pedestal, da sua zona de conforto e ter para com ele mesmo a mesma postura que exige de seus alunos:disponibilidade para o aprender. 


Para tanto o professor deveria realmente pensar em seu aluno e desta forma, estudar mais. Os aprendizados não acontecem somente no meio acadêmico, há saberes populares importantíssimos.A possibilidade de transitarmos nestes dois universos certamente favorecerá em muito a ampliação de nossos conhecimentos.Importante estarmos alertados para esta situação. Minha mãe com sua sabedoria popular já me dizia: " Ver bem não é ver tudo mas ver o que os outros ainda não viram". Nossos olhares focados (e consequentemente turvos) apenas em uma direção ou em nosso umbigo poderá destruir o crédito que tantos de nossos alunos tem por nós ao nos chamarem de MESTRES."
Mestra Rachel Mesquita

quinta-feira, 31 de março de 2016

QUEM DEIXA BOAS RAÍZES...



   
         É com imensa alegria que recebo a notícia de que o Grupo Cigano Encanto do Oriente estará retornando ao Clube dos Suboficiais e Sargentos da Aeronáutica, em Cascadura, zona norte do Rio. Afastado há 3 anos daquela agremiação, o grupo dirigido pela minha amiga, professora Nara Figueiredo, voltará a ocupar um espaço para aulas e apresentações de danças, feiras típicas e mostras de artes ciganas em geral. Tudo isso a partir de 22 de maio próximo vindouro.

Professora Nara Figueiredo


           Orgulho-me de ter sido um dos primeiros jornalistas especializados em danças a divulgar as artes ciganas na mídia que se ocupava apenas do clássico e do salão. Os bailarinos de danças típicas como Dança Cigana, Dança do Ventre, Flamenco e outras, sentiam-se excluídos. Fui muito feliz em abordar a professora Nara Figueiredo que me mostrou um mundo novo que tive o prazer de compartilhar com muitos leitores. Poderia ter feito mais, muito mais... Mas conhecer Nara, generosa, determinada e extremamente elegante, foi um presente; uma amizade que vai rompendo anos e distância. 

Sede do "Sargento de Cascadura"


          Não sei se poderei estar no Rio na data dessa reestreia, mas desejo a todos que compõem essa linda família cigana, dançarinos, dançarinas, cantores, instrutores, professores e expositores, sucesso redobrado e mais reconhecimento e respeito por essa cultura que contempla a fé e distribui alegria. 
  
Beleza e Movimento: Arte Cigana
         Que haja uma grande comemoração nesse retorno, pois se ele acontece é porque foram plantadas boas raízes. Com certeza, a presença do Encanto do Oriente na grade de programação e oferta de aprendizado do "Sargento", beneficia o quadro social  e valoriza ainda mais aquele agremiação, por si só grandiosa. Parabéns a todos e que Deus, mais uma vez, esteja no comando.